sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

yeah yeah yeah

Sabe quando você está no modo "soluções drásticas" online? Estou assim.
Tô sem saco pra novela, filme de comédia e Beatles - principalmente os Beatles.
Que mané She Loves You yeah yeah yeah que nada! Hoje tô afim de ouvir qualquer coisa que expresse algo mais agressivo que isso.
Na verdade, eu não estou com raiva, estou só angustiada e, quando me sinto assim, essas coisas e sorrisos falsos e frases pré-fabricadas só pioram a situação.
"Tantos passos que já nem lembramos mais a cor do asfalto"
Ontem mesmo ao voltar pra casa, vi que tinha chovido bastante - essas chuvas de verão que a essa altura do aquecimento todo só servem pra alagar a cidade - e pensei três vezes até completar a frase: "Nossa! Que dia bonito! Que cheiro de chuva... E asfalto molhado". Daí eu percebi que sentia falta dos verões que passei na casa da minha avó, no interior.
A gente sempre sente falta de algo fora do padrão - nossos malditos padrões - e o interior é algo fora do padrão pra qualquer paulistano que viva no meio desse trânsito, dessa poluição, desse caos maldito. O paulistano pode até falar: adoro asfalto, correria, barulho mas aposto que assim como eu, não dispensa férias no interior.
Me lembro como ontem que nas férias de verão ficava até tarde brincando de pega-pega, mãe-da-rua, esconde-esconde, amarelinha - essas brincadeiras de criança - na rua e essa de violência nem era existente no interior do interior. As coisas eram perfeitas demais. Na verdade quando somos crianças tudo é perfeito demais, crianças não vêem maldade ou falhas em nada e talvez seja por isso que a preocupação seja desnecessária.
Voltando a parte em que eu estou de saco cheio de Beatles, é verdade.
Veja bem, você sintoniza a televisão em um canal de música e tudo o que escuta é decorrente de algo que já passou. Os Beatles por exemplo. Estava vendo aquele programa tosco "Lobão ao Mar" com o Cachorro Grande e a Mallu Magalhães - um dia falo algo sobre essa menina, não esperem todas as positive vibrations - e tudo o que ouvi foi Beatles, Lennon e Dylan. O que não era propriamente isso, foi decorrente disso. Daí eu ainda tenho que ouvir algo do tipo: "É cara, tô louco pra ouvir aquela música 'nova' deles, na verdade o cara soltou esses dias por aí... Uma relíquia do Peppers... Daquela época psicodélica dos Beatles. Bom, tudo o que fizerem relativo a isso vai ser bom, pode passar o tempo que passar". Tá! Eu entendo que milhões de pessoas dariam a vida por isso e não nego que pra essas pessoas vai continuar a ser bom, mas eu acho insignificante demais, cara.
Tá certo que quando tudo era cinza, os Beatles apareceram mas isso não quer dizer que eles são eternamente os caras mais fodas do Universo. Isso só quer dizer que foi uma banda - fabricada, perdoem-me - que deixou músicas bonitinhas (grande parte) e uma legião de fãs. Afinal quando tinha uma porrada de idiotice acontecendo no planeta eles estavam cantando "Ela te ama, yeah yeah yeah". E isso não quer dizer que não tenha existido, existe ou venha a existir banda melhor ou coisa que o valha.
Não vivi aquela época. Estou bem em 2009, obrigada. Desculpem minha ignorância mas quando se está angustiado, Beatles não muda droga nenhuma.
Música é isso: quando é boa, altera até o estado de espírito de qualquer mortal e se não tem efeito nenhum, só me resta publicar em um blog pessoal (que fique bem claro) minha insatisfação.

Vou lá ouvir qualquer coisa gritada/berrada/agitada, que passe qualquer sentimento sincero.


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