sexta-feira, 28 de outubro de 2011

pra sempre ser

Antes não fosse certo, do que tarde fosse errado (o contrário talvez).
Antes tudo fosse como era, e sabemos que era.
Era antecipação e contentação. Simples e nada a por nem tirar.
Antes fosse como antes era, e depois deixou de ser (pra voltar, enfim).
Auto-afirmação.
Pés no chão.
- Tem mais valia uma Flávia com os pés no chão, do que mil Flávias voando por aí.
O batom vermelho carmim nunca chega ao fim, é incrível.
Trocar as palavras, as vontades, os anseios.
E as mãos ainda suam de ansiedade.
Meu bem, não tem jeito.
Tinha que ser assim, pra nunca deixar de ser, afinal.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Devaneio

Esse céu cinza chega a dar uma dor de estômago deveras merecida de tanto passado que carrega.
Saudade mesmo das épocas em que as maiores preocupações eram as notas de química e física.
Sempre fui irremediável com cálculos e essas bobagens. Até hoje não apliquei uma fórmula sequer na vida real - e é óbvio que dois corpos não podem ocupar o mesmo lugar ao mesmo tempo; só um alienado duvidaria disso.
Números não falam da alma; são frios e cheios de si.
Prefiro mais aquela sensação que a gente sente quando o âmago encontra o âmago e finalmente, declara alguma coisa sincera. Talvez isso justificasse a minha habilidade de enrolar os professores naquela época.
Época em que toda adolescente é um pouco manipulável e declara infelicidade por coisa pouca.
Mas voltando ao céu cinza... Bem.
Tanto faz.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

A Hora

Quando se olha no espelho, vê no fundo dos seus olhos um pouquinho do que sobrou dela mesma e então se encontra e vê que ainda existe. E, por incrível que pareça, o pouquinho que sobrou continua intacto. 
O único momento que é verdadeira é quando está sozinha mesmo, e sente uma saudade danada de tudo que passou.
Acho que no fim das contas Clarice tem razão: o futuro sempre é melhor, pois sua sorte é não ser o presente.
(Que história banal, mal consigo escrevê-la.)

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

insistência

Talvez seja essa coisa confusa e cuspida que motiva a minha insistência desse jeito,
Anos a fio.
Essa coisa de ameaçar ir, mas sempre voltar.
Voltar pro lugar que nunca deixei, afinal.
É.
"Essa coisa confusa não é tão cuspida assim."
Confesso.
Nunca foi.
Acho que o que faz ser é a vontade de querer. Talvez.
Certeza.
Se a tivesse, saberia?
Não sei.
Algumas coisas acontecem por uma razão. Outras, não.
A única coisa que não muda é essa sensação de empty space.
Nunca foi cuspido.
E eu não sei porque diabos eu continuo insistindo.
É, realmente.
"É essa coisa deveras confusa que me motiva, como sempre"
Concluo às cegas.

terça-feira, 11 de outubro de 2011

questão

Sonhos sempre me surpreendem. Sério mesmo.
Hoje mesmo sonhei um sonho que poderia ser filme, ou livro, ou apenas uma variação da monotonia. Não sei. Quem sabe?
Uma igreja, pequena e branca. Algumas plantas nos cantos e uma pintura simples e refinada.
Três filas. Lá estavam dois padres velhos, e um jovem vestido de preto que tinha olhos azuis tão angelicais que no meio de uma conversão - sabe-se lá de quê - se revolta com o sistema em que vive e faz revelações secretas sobre tudo o que tem acontecido.
- Cuidado com o que diz, isso não vai terminar bem.
Ele apenas me responde com um olhar carinhoso.
É como se vivesse em um regime ditador, e, em um último suspiro - durante todo esse momento, sons de tambores enfurecidos são a trilha para o ponto -, revela o segredo da lavagem cerebral e então, ouve-se um grande "boom" e lá se vai o jovem de olhos bonitos.
Era o seu ponto final.
De repente, mas não tão de repente assim, começa uma fuga incessável em direção a uma praia onde acontece uma reunião dos refugiados. O sol poente faz uma paisagem desperdiçada pela tensão.
Estamos lá; e, novamente, de repente reaparecem pessoas que por mim já estão enterradas no meu passado a tempos, começando uma grande discussão.
- EU NUNCA MAIS QUERO TE VER!
E a fuga recomeça.
Sentinelas do sistema começam a nos perseguir e executar a sangue frio aleatoriamente pessoas que tanto fazem como tanto fizessem. E nós estamos correndo.
É como se nada no mundo importasse ou existisse mais.
Fugindo.
Um grande muro pintado de branco e um massacre do outro lado. Mãos entrelaçadas.
Fugindo.
- Por que você fez aquilo comigo? Não foi justo.
Fugindo.
De quê mesmo? De quem mesmo?
Não importa. A cumplicidade de dois fugitivos vale mais que mil perguntas.
Conseguimos.
Escapamos do triste fim que nos foi destinado.
Testemunhas de algo terrível acontecendo diante dos nossos narizes. No horizonte têm cinco homens de smoking armados nos dando adeus - uma chuva azul cai do céu e banha as ruas acimentadas.
Um profundo olhar olho no olho e - nesse momento o som dos tambores volta, criando um indiscutível clima de suspense -, é o fim.
Acordei com o som do despertador morrendo de vontade de voltar para o sonho e saber o verdadeiro final.

A propósito, qual o sentido disso tudo mesmo?
Nunca faz sentido.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

melancolia.