Sonhos sempre me surpreendem. Sério mesmo.
Hoje mesmo sonhei um sonho que poderia ser filme, ou livro, ou apenas uma variação da monotonia. Não sei. Quem sabe?
Uma igreja, pequena e branca. Algumas plantas nos cantos e uma pintura simples e refinada.
Três filas. Lá estavam dois padres velhos, e um jovem vestido de preto que tinha olhos azuis tão angelicais que no meio de uma conversão - sabe-se lá de quê - se revolta com o sistema em que vive e faz revelações secretas sobre tudo o que tem acontecido.
- Cuidado com o que diz, isso não vai terminar bem.
Ele apenas me responde com um olhar carinhoso.
É como se vivesse em um regime ditador, e, em um último suspiro - durante todo esse momento, sons de tambores enfurecidos são a trilha para o ponto -, revela o segredo da lavagem cerebral e então, ouve-se um grande "boom" e lá se vai o jovem de olhos bonitos.
Era o seu ponto final.
De repente, mas não tão de repente assim, começa uma fuga incessável em direção a uma praia onde acontece uma reunião dos refugiados. O sol poente faz uma paisagem desperdiçada pela tensão.
Estamos lá; e, novamente, de repente reaparecem pessoas que por mim já estão enterradas no meu passado a tempos, começando uma grande discussão.
- EU NUNCA MAIS QUERO TE VER!
E a fuga recomeça.
Sentinelas do sistema começam a nos perseguir e executar a sangue frio aleatoriamente pessoas que tanto fazem como tanto fizessem. E nós estamos correndo.
É como se nada no mundo importasse ou existisse mais.
Fugindo.
Um grande muro pintado de branco e um massacre do outro lado. Mãos entrelaçadas.
Fugindo.
- Por que você fez aquilo comigo? Não foi justo.
Fugindo.
De quê mesmo? De quem mesmo?
Não importa. A cumplicidade de dois fugitivos vale mais que mil perguntas.
Conseguimos.
Escapamos do triste fim que nos foi destinado.
Testemunhas de algo terrível acontecendo diante dos nossos narizes. No horizonte têm cinco homens de smoking armados nos dando adeus - uma chuva azul cai do céu e banha as ruas acimentadas.
Um profundo olhar olho no olho e - nesse momento o som dos tambores volta, criando um indiscutível clima de suspense -, é o fim.
Acordei com o som do despertador morrendo de vontade de voltar para o sonho e saber o verdadeiro final.
A propósito, qual o sentido disso tudo mesmo?
Nunca faz sentido.