terça-feira, 20 de outubro de 2009

salgados ou não:

Eu estava aqui pensando com meus botões.
Pensei sobre os legumes do jantar, nas palavras do velho safado Bukowski e nas pirações da dona de casa angustiada Clarice Lispector. Tive altos e baixos e caí em profunda nostalgia depois de relembrar filmes que assisti cerca de dois anos atrás.
As vezes isso acontece mesmo, pro bem ou pro mal, sabe-se lá o por quê, sempre acontece comigo.
Uma amiga escreveu algo sobre ciclo vicioso, dizendo que estava cansada da rotina que levava à meses e que queria sossego; isso me fez lembrar de coisas que escrevi aqui meses atrás. Eu dizia que estava cansada da rotina, do trabalho, da escola e dos amigos - e quando saía dessa rotina, trocava de trabalho, escola, e amigos, me cansava da mesma forma. Eu sou assim, enjoo fácilmente das coisas óbvias e das pessoas chatas. Me apego ao verdadeiro, deixo claro, e o verdadeiro é eterno.
Rolou um momento de identificação com essa amiga, por causa desse texto, afinal, ela tem alguns pensamentos compatíveis aos meus... E me vi ali, na mesma situação que ela está agora, meses atrás - e foi esse o motivo do princípio da sessão nostalgia.
Fico feliz em me lembrar de tempos que se foram e de pessoas que ficaram lá, no passado... Algumas delas marcaram uma época da minha vida e todas as memórias são guardadas - com carinho ou não.
Sempre fui a mais velha do grupo, até o grupo em questão não ser mais suficiente, pensamentos não serem tão compatíveis assim e uma série de pisadas na bola por ambas as partes nos separarem. Mas tudo bem, a questão é que depois de toda essa confusão, sempre fui a caçula dos outros grupos - tanto que, me chamavam e chamam de "Flavinha", como demonstração de afeto e apreço por eu ser a mais nova.
Apelidos a parte, ser a mais nova nunca foi problema, afinal, sempre me trataram de igual pra igual e sempre se impressionaram com minha forma de pensar e agir. É disso que me orgulho: pessoas desconhecidas reconhecendo o desconhecido-óbvio, mas seja lá qual for o nome disso, eu sei o que é.
Tenho orgulho da pessoa que sou. Escrevo meus textos, tenho minhas falas, meus pensamentos, minha forma de agir e reagir, sou eu a pessoa por trás de todos os meus atos e todas as consequencias são minhas.
Tenho orgulho das minhas convicções e das conclusões que tiro sozinha. Tenho orgulho dos conselhos que distribuo por aí, e das pessoas que passam pela minha vida.
Afinal, a vida é um aprendizado, e esse meu ciclo vicioso não tem fim.
Depois de ter pensado em todas essas coisas, concluí que os legumes do jantar estavam salgados, que Charles Bukowski foi meu companheiro e suas palavras frias e sujas por muitas vezes serviram de escudos, e que Clarice Lispector me cansa mais do que qualquer outra coisa.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

w o r d s

A frase que sempre me inspira a escrever alguma coisa aqui, desde que criei esse blog, é " openyour fuckin' mind" - o que muitas vezes deixo de fazer e acabo escrevendo qualquer merda.
Estava eu aqui pensando com meus botões: "É, eu devia mesmo abrir a minha mente e escrever sobre o que eu realmente queira, às vezes...", e infelizmente tenho um certo bloqueio com essas coisas de escrever o que sinto, acho limitado... Afinal, o que eu sinto, simplesmente sinto e não tenho o dever de ficar escrevendo e escrevendo até as palavras se esgotarem. É meio complicado.
Mas aí lá me ponho a me contradizer, aliás, dizer verdades que se opõem a outras verdades absolutas. Escrever faz bem pra pele, pros cabelos, pra vitalidade e pra mente. Escrever é mais do que apenas usar frases de efeito pra demonstrar um certo nível de (pseudo) intelectualidade.
Escrever, para mim, é sentir as palavras mais do que o próprio sentimento que elas tentam traduzir. Ah, se eu completasse todos os textos, com os quais passei horas e horas a fio; se eu continuasse com aquela série que comecei em 2007, ou se concluísse aquela página onde a bruxa velha encontrou um bezouro que lhe dizia e consentia sete desejos pecaminosos...
Palavras são mágicas e trágicas, para mim. Veja bem, com uma frase mal interpretada nos vemos em apuros e caímos no desespero sem mais olhar pra trás ou prestar atenção na frase dita posteriormente. Palavras quando ditas e escritas com honestidade, comigo tem a mais irredutível confiança - e o maior dom por aqui, é interpretá-las da maneira como devem ser feitas.
Textos, frases, palavras, rascunhos... Estórias e contos.
Existe magia e tragédia e, para mim, elas não estão em nenhum tipo de arte onde com meia lata de tinta óleo e um pincel, ou meio metro de cetim e uma máquina de costura, se resolvem.
Arte é a mais pura expressão do sentimento inexistente, incompleto, insatisfatório - palavras o fazem.

W O R D S
and it's all about them.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

TODOS IGUAIS

As revistas ditam como as meninas devem se vestir,
As novelas educam como os meninos devem agir

Todos iguais!

Tudo funciona perfeitamente no mundo do consumo,
E será que você é mesmo diferente de toda essa merda?

Todos iguais!

As mesmas tatuagens,
As mesmas frases feitas,
Os mesmos cortes de cabelo,
As mesmas bandas da moda,
O mesmo comportamento,
A mesma sede de consumo,
Mesmas vontades e julgamentos
E um comportamento único...

Todo iguais!


É a sempre a mesma merda
Com gente velha ou com gente nova, nos lugares velhos ou nos lugares novos
É sempre a mesma merda.