Eu avalio o que você é pelo que você come. Eu avalio o que você é pelo que você escuta.
Eu avalio o que você é, olhando pras pessoas que você anda.
Hoje estava voltando para casa - trólebus lotado pra variar um pouco - entretida com meu próprio tédio - ouvindo pela 5º vez a mesma música de sempre - quando me perdi em devaneios e cá estou, escrevendo sobre isso depois de ler o lembrete em um papel de chiclete que encontrei na bolsa. Estava escrito: a gente avalia.
Tem gente que se satisfaz com de sempre: enche a cara de jurupinga com a mesada da mãe, faz ceninha na frente da galera descolada e depois pensa com os músculos. Sabe, uma coisa que eu sempre achei engraçada foi essa de ver as pessoas pensando com os músculos. Parecem um bando de babuínos brigando por uma causa falida. Se chutam, se socam, se rasgam, se fodem juntos. Acho isso uma grande idiotice.
Então eu escutei alguém me dizer: "Nossa, fazia tempo que eu não vinha aqui. Obrigado por me trazer e me fazer lembrar o porquê que eu não venho mais, heh". Pensei por dois minutos depois continuei a olhar. Eu acho isso uma grande idiotice.
Adolescentes primatas idiotas. Filhos da puta sem destino, rumo ou direção.
Eu dou risada disso... Até me inspiro - também me orgulho por não fazer parte dessa merda toda - e me comovo. Sim, fico com pena da mãe de cada garota ali. Devia estar assistindo O Fantástico achando que a filha tinha ido ao cinema com as amigas. Coitadas das mães.
A sensação de abandono é meio evidente - mas que se foda. O que me irritou de verdade foram aquelas bixas no trólebus cantando e dançando algo inaudível para mim - devia ser Cher ou qualquer outra coisa GLS que os fizessem pensar que eram um teen group -, aquilo me irritou de verdade. Sabe, eu não tenho nada contra esse pessoal, até conheço alguns do tipo, mas quando exigem a atenção alheia, exibindo algo que não existe, eu fico irritada. Porcos imundos - e purpurinados. Por quê diabos eles sempre querem a atenção toda para eles? Independente de onde estejam, eles sempre chegam fazendo isso: cantando, dançando e gesticulando coisas desagradáveis. Eu até me disponibilizo a jogar uma moeda de cinquenta centavos pra ver se eles se atiram ao chão (onde deviam estar). Eu fico irritada com essa gente.
Fico irritada com muitas coisas. Ultimamente com mais coisas que o normal (normal?).
Uma das coisas mais desconcertantes é quando o bruta montes te mede dos pés a cabeça. Isso me tira do sério. Odeio essa palhaçada de tratar mulher - inclusive a alheia - como pedaço de carne. Acho que ninguém gosta - mas quem é que vai ser o corajoso e falar isso pro filho da puta?
Tem vezes que a gente é paciente e até tenta ser diferente mas não dá. Essa de ser sempre a paciente irrita bastante também. Eu é que não vou gastar saliva explicando tudo para as palavras entrarem por um ouvido e sairem pelo outro.
Hoje eu acordei com vontade de voltar pra março de 2008. Me lembro que todas as terças e quintas eram destinadas a algo que me fazia um bem danado. Hoje em dia a coisa toda mudou.
Enquanto eu escrevo essa porcaria tento matar os bichinhos que ficam andando na tela do monitor. Não sei se acontece só comigo, mas sempre tem uns mosquitinhos andando na tela do meu monitor.
Ah, a sensação de abandono é meio repentina. Parece insignificante - tanto que ninguém percebe - mas acontece as vezes. Me vem aquela sensação de saudade de algo que não existe, pego o celular pra me distrair e na agenda encontro três pessoas. As três distintas e qualificadas pra ocupar o melhor lugar no podium mas, nenhuma respondeu a mensagem. Afinal, quem vai responder mensagens as 2h da manhã?
Uma tarde inteira na frente do computador, escutando velhas fofoqueiras falarem até sobre a roupa da nova funcionária pode ser esmagadora. Mais esmagadora ainda quando você está morrendo de vontade de ler um livro e não consegue se concentrar porque as vadias estão falando sem parar. Falam, falam, falam e nunca se cansam de falar. Isso também me irrita, mulheres que falam demais e nunca se cansam de falar, nunca sabem a hora certa de calar a boca por um minuto que seja.
E eu fico pensando no silêncio aqui de casa, enquanto martelo no teclado. Tá um silêncio dos infernos aqui. Eu gosto do silêncio mas ao meu ver, silêncio e escuro não é uma combinação muito interessante. Existem coisas que me assombram quando estes dois estão juntos. Eu não gosto disso.
Esses bichinhos estão me irritando de verdade.
Um dia eu quero escrever tudo que estiver na minha cabeça. Tudinho de verdade mesmo.
Um dia vou escrever sobre todas as avaliações, filhos da puta, bichinhos, cigarros, becos, trólebus, direções, rumos, assombrações, medos, abandonos e destinos. Sim, destinos.
Um dia vou escrever o livro de toda a minha vida, e trocarei os manuscritos por beijos e carinhos pagos.
Eu avalio o que você é, olhando pras pessoas que você anda.
Hoje estava voltando para casa - trólebus lotado pra variar um pouco - entretida com meu próprio tédio - ouvindo pela 5º vez a mesma música de sempre - quando me perdi em devaneios e cá estou, escrevendo sobre isso depois de ler o lembrete em um papel de chiclete que encontrei na bolsa. Estava escrito: a gente avalia.
Tem gente que se satisfaz com de sempre: enche a cara de jurupinga com a mesada da mãe, faz ceninha na frente da galera descolada e depois pensa com os músculos. Sabe, uma coisa que eu sempre achei engraçada foi essa de ver as pessoas pensando com os músculos. Parecem um bando de babuínos brigando por uma causa falida. Se chutam, se socam, se rasgam, se fodem juntos. Acho isso uma grande idiotice.
Então eu escutei alguém me dizer: "Nossa, fazia tempo que eu não vinha aqui. Obrigado por me trazer e me fazer lembrar o porquê que eu não venho mais, heh". Pensei por dois minutos depois continuei a olhar. Eu acho isso uma grande idiotice.
Adolescentes primatas idiotas. Filhos da puta sem destino, rumo ou direção.
Eu dou risada disso... Até me inspiro - também me orgulho por não fazer parte dessa merda toda - e me comovo. Sim, fico com pena da mãe de cada garota ali. Devia estar assistindo O Fantástico achando que a filha tinha ido ao cinema com as amigas. Coitadas das mães.
A sensação de abandono é meio evidente - mas que se foda. O que me irritou de verdade foram aquelas bixas no trólebus cantando e dançando algo inaudível para mim - devia ser Cher ou qualquer outra coisa GLS que os fizessem pensar que eram um teen group -, aquilo me irritou de verdade. Sabe, eu não tenho nada contra esse pessoal, até conheço alguns do tipo, mas quando exigem a atenção alheia, exibindo algo que não existe, eu fico irritada. Porcos imundos - e purpurinados. Por quê diabos eles sempre querem a atenção toda para eles? Independente de onde estejam, eles sempre chegam fazendo isso: cantando, dançando e gesticulando coisas desagradáveis. Eu até me disponibilizo a jogar uma moeda de cinquenta centavos pra ver se eles se atiram ao chão (onde deviam estar). Eu fico irritada com essa gente.
Fico irritada com muitas coisas. Ultimamente com mais coisas que o normal (normal?).
Uma das coisas mais desconcertantes é quando o bruta montes te mede dos pés a cabeça. Isso me tira do sério. Odeio essa palhaçada de tratar mulher - inclusive a alheia - como pedaço de carne. Acho que ninguém gosta - mas quem é que vai ser o corajoso e falar isso pro filho da puta?
Tem vezes que a gente é paciente e até tenta ser diferente mas não dá. Essa de ser sempre a paciente irrita bastante também. Eu é que não vou gastar saliva explicando tudo para as palavras entrarem por um ouvido e sairem pelo outro.
Hoje eu acordei com vontade de voltar pra março de 2008. Me lembro que todas as terças e quintas eram destinadas a algo que me fazia um bem danado. Hoje em dia a coisa toda mudou.
Enquanto eu escrevo essa porcaria tento matar os bichinhos que ficam andando na tela do monitor. Não sei se acontece só comigo, mas sempre tem uns mosquitinhos andando na tela do meu monitor.
Ah, a sensação de abandono é meio repentina. Parece insignificante - tanto que ninguém percebe - mas acontece as vezes. Me vem aquela sensação de saudade de algo que não existe, pego o celular pra me distrair e na agenda encontro três pessoas. As três distintas e qualificadas pra ocupar o melhor lugar no podium mas, nenhuma respondeu a mensagem. Afinal, quem vai responder mensagens as 2h da manhã?
Uma tarde inteira na frente do computador, escutando velhas fofoqueiras falarem até sobre a roupa da nova funcionária pode ser esmagadora. Mais esmagadora ainda quando você está morrendo de vontade de ler um livro e não consegue se concentrar porque as vadias estão falando sem parar. Falam, falam, falam e nunca se cansam de falar. Isso também me irrita, mulheres que falam demais e nunca se cansam de falar, nunca sabem a hora certa de calar a boca por um minuto que seja.
E eu fico pensando no silêncio aqui de casa, enquanto martelo no teclado. Tá um silêncio dos infernos aqui. Eu gosto do silêncio mas ao meu ver, silêncio e escuro não é uma combinação muito interessante. Existem coisas que me assombram quando estes dois estão juntos. Eu não gosto disso.
Esses bichinhos estão me irritando de verdade.
Um dia eu quero escrever tudo que estiver na minha cabeça. Tudinho de verdade mesmo.
Um dia vou escrever sobre todas as avaliações, filhos da puta, bichinhos, cigarros, becos, trólebus, direções, rumos, assombrações, medos, abandonos e destinos. Sim, destinos.
Um dia vou escrever o livro de toda a minha vida, e trocarei os manuscritos por beijos e carinhos pagos.
