"Mas o mais fantástico era a nossa pedreira de gipsita. Um buraco gigantesco no meio da mata. Quase um quilômetro de comprimento por 200 metros de largura e cerca de 100 metros de profundidade. Paredes verticais. Em baixo, no fundo, era agradável, não havia vento. E nasciam plantas que não víamos em nenhum outro lugar. Esse vale das maravilhas era cortado por riachos cristalinos, cascatas brotavam da muralha. A água escura enferrujava as rochas brancas. O chão estava coberto de pedaços de pedra branca que pareciam ossos de animais pré-históricos... se não fossem de fato ossos de mamute. Escavadoras gigantes e os tratores que durante toda a semana faziam uma confusão geral pareciam, no domingo, imóveis e silenciosos há séculos. A gipsita os vestira de branco.
Ficávamos absolutamente isolados. Separados do mundo externo por abruptas muralhas brancas. Nenhum som chegava até nós. Não ouvíamos nenhum barulho a não ser o das cascatas.
Decidimos comprar a pedreira no dia em que ela não estivesse mais sendo explorada. Nós nos instalaríamos no fundo. Construiríamos cabanas, plantaríamos um imenso jardim, criaríamos animais. E dinamitaríamos o único caminho que leva à superfície.
De qualquer forma, não tínhamos nenhuma vontade de voltar lá para cima."
Christiane Vera F.
