sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

camomila distrativa

Estou desempregada, no vermelho, dura, fodida e mau paga... E o lado bom da história?
O lado bom é que eu posso dormir até tarde, olhar a chuva da janela, ver filmes às 15h e ir até a padaria comprar pães no final do dia.
Foi em uma dessas idas à padaria que eu senti o cheiro de camomila vindo dos cabelos molhados de uma mulher que passou por mim - o que me deixou profundamente irritada, não gosto desse cheiro de camomila nos cabelos que não sejam dos meus.
No segundo quarteirão passei por rostos conhecidos que fingi não reconhecer e mergulhei em um mar de nostalgia ao ver o logo daquela empresa em que trabalhei durante um ano da minha vida.
Também olhei para o céu e vi que entre as nuvens, o sol insistia em aparecer pelo primeiro minuto dentre horas que passou escondido por culpa da chuva que só fez chover nos últimos dias. Tropecei graças a distração e cheguei à padaria, pedi seis pães, paguei e saí de volta pra casa; um caminho que, repentinamente me fez lembrar de milhares de coisas: de chocolates com gostinho de amor, até o cheiro de camomila que, ao passar pelo mesmo lugar onde minutos mais cedo eu o havia sentido, todo o odor que restara vinha da gasolina de um Monza 85 dando partida para ir embora.