quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Tesouras





Foi mais ou menos assim: Uma pessoa estranha, um lugar estranho, uma frase estranha, um sorriso estranho e por fim, um abraço estranho. Inconsequência. Distração.
O mundo todo já ouviu e já sentiu. É diferente, inovador.
Insanidade ou normalidade.
A vontade que tenho é de pegar a linha desconhecida e andar sem direção. Tem algo de errado.
Estou falando daquele castelo de cartas... As coisas mudaram. O castelo desabou assim, sem mais nem menos. Não sei a palavra certa quiçá o sentimento certo.
Não sei, eu quero mesmo é que tudo vá para os ares, sem satisfação ou questão de ninguém. Bom, vou explicar: antes, eu fazia questão de algumas coisas; agora, não faço questão de quase nada. As pessoas me decepcionam constantemente.
Sabe, eu queria voltar a ser criança. Queria voltar a ser aquela menininha quieta e medrosa que ficava brincando com a chuva gotilhando na grade da janela da sala de estar. Queria muita coisa, mas o que mais me faz falta é a infância.
Na infância tudo é inocente. Não existe maldade, tudo se resolve dando os dedinhos ou então fingindo o "belém-belém-nunca-mais-tô-de-bem-até-o-ano-que-vem" e nada é assim, tão complicado e confuso.
Logo eu que sempre desejei tanto essa independência imbecil.
O mundo é meu! Meu mundo é meu e eu vou mesmo é levantar a cabeça e construir outro, já que ele sempre desaba junto com o meu castelo de cartas e sempre tenho de reconstruir tudo.
Tem algo de errado, eu sei que tem.
Essa nostalgia não é comum. Esse desgosto não é comum. Essa distração não era comum.
"Sonhos nos mantém nas horas difíceis", ouvi hoje antes de me perguntar pela centésima vez sobre o meu sonho e sobre o meu lugar e ouvir o eco responder.