quarta-feira, 2 de julho de 2008

tia da limpeza

Cinco dias por semana eu bato cartão no quinto andar daquele prédio.
Todos os cinco dias, passo ao lado de pessoas que acabam se tornando íntimas apenas pela convivência. Mas elas não sabem. Elas não sabem que eu sei.
Uma vez me disseram que passei do lado de uma garota, e não cumprimentei-a. Mas ok, aquelas pessoas que encontro todos os dias também não o fazem.
São pessoas de todos os estilos, gostos, nomes, olhos, roupas e trabalhos. O que me interessa é teorizar suas vidas, hipotetizar suas escolhas e sintetizá-las para alguém (vamos fingir que eu sintetizo tudo para alguém).
As pessoas me chamam muito a atenção. Talvez eu as entenda em dois segundos. Talvez eu esteja completamente errada e esteja em uma bela de uma viagem cósmica ao invés disso que costumo chamar de vida.
O pretérito, o presente e o futuro sempre me interessaram muito. Demasiadamente, eu diria.
Mas o que mais me chama a atenção é de fato a tiazinha da limpeza. Ela sim merece a minha atenção.
Cinco dias por semana. Três vezes ao dia (no período de seis horas que eu passo confinada naquele prédio espelhado), ela entra no Depto. de Carro Reserva, e passa despercebida aos olhos de todos os Analistas que estão ali, concentrados demais para um Bom Dia.
E eu ainda imagino o que ela pensa de tudo isso.