sexta-feira, 23 de maio de 2008

imutável

Eu deveria priorizar alguma coisa nessa minha vida.
Deveria me empenhar em algo, me dedicar de corpo e alma a algo que me faça bem - bom, não precisa inteiramente fazer bem, apenas prender a minha atenção.
Eu deveria me concentrar naquela praça mal iluminada, de grama suja, bancos espalhados por toda a parte que davam a sensação de serem insuficientes. Devia me concentrar nos carros que passavam distantes, no movimento incessante destes e do silencio que me fazia lembrar o quão longe eu estava destes mesmos carros.
Eu poderia me prender as lembranças de um sonho. Sim, era tudo um sonho. Eu poderia fazer isto por horas e horas contínuas que não acabassem nunca e ainda assim, me sentir satisfeita.
Eu poderia talvez me esquecer de tudo isto. Me esquecer das pessoas que me completaram por instantes eternos e das pessoas que eu não cheguei a conhecer mas estavam lá, sentindo o mesmo que eu.
Talvez eu devesse apenas me concentrar naquela praça e em todo o surrealismo dela. A praça era surreal. Era um sonho surreal. Tudo de inexistente, planejado por um desconhecido - ou desconhecida, nunca se sabe.
Na verdade eu deveria ouvir as musicas que embalam as minhas madrugadas de quinta para sexta. Afinal, música sincera e boa é tão difícil de se encontrar... toda música sincera possui uma história que vai além da realidade escondida em seus refrões... é raro alguém notar.
É, músicas influenciam. E agora estou em um momento imutável acompanhado por Ok Computer e The Covers Record, dá pra imaginar o momento?
Assim a gente vai levando, conversando e refletindo sobre semanas de agitações em um texto inexplicável até aos olhos do maior entendedor deste ser estranho aqui.