terça-feira, 20 de outubro de 2009

salgados ou não:

Eu estava aqui pensando com meus botões.
Pensei sobre os legumes do jantar, nas palavras do velho safado Bukowski e nas pirações da dona de casa angustiada Clarice Lispector. Tive altos e baixos e caí em profunda nostalgia depois de relembrar filmes que assisti cerca de dois anos atrás.
As vezes isso acontece mesmo, pro bem ou pro mal, sabe-se lá o por quê, sempre acontece comigo.
Uma amiga escreveu algo sobre ciclo vicioso, dizendo que estava cansada da rotina que levava à meses e que queria sossego; isso me fez lembrar de coisas que escrevi aqui meses atrás. Eu dizia que estava cansada da rotina, do trabalho, da escola e dos amigos - e quando saía dessa rotina, trocava de trabalho, escola, e amigos, me cansava da mesma forma. Eu sou assim, enjoo fácilmente das coisas óbvias e das pessoas chatas. Me apego ao verdadeiro, deixo claro, e o verdadeiro é eterno.
Rolou um momento de identificação com essa amiga, por causa desse texto, afinal, ela tem alguns pensamentos compatíveis aos meus... E me vi ali, na mesma situação que ela está agora, meses atrás - e foi esse o motivo do princípio da sessão nostalgia.
Fico feliz em me lembrar de tempos que se foram e de pessoas que ficaram lá, no passado... Algumas delas marcaram uma época da minha vida e todas as memórias são guardadas - com carinho ou não.
Sempre fui a mais velha do grupo, até o grupo em questão não ser mais suficiente, pensamentos não serem tão compatíveis assim e uma série de pisadas na bola por ambas as partes nos separarem. Mas tudo bem, a questão é que depois de toda essa confusão, sempre fui a caçula dos outros grupos - tanto que, me chamavam e chamam de "Flavinha", como demonstração de afeto e apreço por eu ser a mais nova.
Apelidos a parte, ser a mais nova nunca foi problema, afinal, sempre me trataram de igual pra igual e sempre se impressionaram com minha forma de pensar e agir. É disso que me orgulho: pessoas desconhecidas reconhecendo o desconhecido-óbvio, mas seja lá qual for o nome disso, eu sei o que é.
Tenho orgulho da pessoa que sou. Escrevo meus textos, tenho minhas falas, meus pensamentos, minha forma de agir e reagir, sou eu a pessoa por trás de todos os meus atos e todas as consequencias são minhas.
Tenho orgulho das minhas convicções e das conclusões que tiro sozinha. Tenho orgulho dos conselhos que distribuo por aí, e das pessoas que passam pela minha vida.
Afinal, a vida é um aprendizado, e esse meu ciclo vicioso não tem fim.
Depois de ter pensado em todas essas coisas, concluí que os legumes do jantar estavam salgados, que Charles Bukowski foi meu companheiro e suas palavras frias e sujas por muitas vezes serviram de escudos, e que Clarice Lispector me cansa mais do que qualquer outra coisa.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

w o r d s

A frase que sempre me inspira a escrever alguma coisa aqui, desde que criei esse blog, é " openyour fuckin' mind" - o que muitas vezes deixo de fazer e acabo escrevendo qualquer merda.
Estava eu aqui pensando com meus botões: "É, eu devia mesmo abrir a minha mente e escrever sobre o que eu realmente queira, às vezes...", e infelizmente tenho um certo bloqueio com essas coisas de escrever o que sinto, acho limitado... Afinal, o que eu sinto, simplesmente sinto e não tenho o dever de ficar escrevendo e escrevendo até as palavras se esgotarem. É meio complicado.
Mas aí lá me ponho a me contradizer, aliás, dizer verdades que se opõem a outras verdades absolutas. Escrever faz bem pra pele, pros cabelos, pra vitalidade e pra mente. Escrever é mais do que apenas usar frases de efeito pra demonstrar um certo nível de (pseudo) intelectualidade.
Escrever, para mim, é sentir as palavras mais do que o próprio sentimento que elas tentam traduzir. Ah, se eu completasse todos os textos, com os quais passei horas e horas a fio; se eu continuasse com aquela série que comecei em 2007, ou se concluísse aquela página onde a bruxa velha encontrou um bezouro que lhe dizia e consentia sete desejos pecaminosos...
Palavras são mágicas e trágicas, para mim. Veja bem, com uma frase mal interpretada nos vemos em apuros e caímos no desespero sem mais olhar pra trás ou prestar atenção na frase dita posteriormente. Palavras quando ditas e escritas com honestidade, comigo tem a mais irredutível confiança - e o maior dom por aqui, é interpretá-las da maneira como devem ser feitas.
Textos, frases, palavras, rascunhos... Estórias e contos.
Existe magia e tragédia e, para mim, elas não estão em nenhum tipo de arte onde com meia lata de tinta óleo e um pincel, ou meio metro de cetim e uma máquina de costura, se resolvem.
Arte é a mais pura expressão do sentimento inexistente, incompleto, insatisfatório - palavras o fazem.

W O R D S
and it's all about them.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

TODOS IGUAIS

As revistas ditam como as meninas devem se vestir,
As novelas educam como os meninos devem agir

Todos iguais!

Tudo funciona perfeitamente no mundo do consumo,
E será que você é mesmo diferente de toda essa merda?

Todos iguais!

As mesmas tatuagens,
As mesmas frases feitas,
Os mesmos cortes de cabelo,
As mesmas bandas da moda,
O mesmo comportamento,
A mesma sede de consumo,
Mesmas vontades e julgamentos
E um comportamento único...

Todo iguais!


É a sempre a mesma merda
Com gente velha ou com gente nova, nos lugares velhos ou nos lugares novos
É sempre a mesma merda.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

destrói

Sempre digo que não vou, mas não consigo evitar;
Sou assim, tem coisas que a gente não escolhe.

Os dias vão se arrastando. Eu até me esforcei, tentei ser comum e me manter sempre com um falso sorriso no rosto, mas não adianta. Prefiro mil vezes a miséria e o bem estar, do que hipocrisia em prol do falso bem estar. Simplesmente odeio esse tipo de coisa, e isso me persegue, como uma cruz que eu carrego na minhas costas.
Família é uma coisa extremamente delicada e alguns tem a sorte de possuir alguma coisa equilibrada - o que não é o meu caso.
Foda-se, é o que eu realmente quero dizer no momento.
Tô cansada dessa hipocrisia e lições de moral dadas por pessoas que não possuem 10% da dignidade que dizem ter. Cansei de adoradores de imagem e religião dizendo que a única coisa que salva é a porcaria dos seus deuses, afinal "não há nada além de tinta e sangue em tuas escrituras".
Peço o perdão pagão, mas tenho desejado coisas que prefiro não citar aqui e, não sei o que seria de mim sem o amor, do meu amor.

Falar sobre amor e sobre ódio, a maior contradição da minha vida.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

eu chamo de "do it yourself"

Tô emperrada, presa, impossibilitada de escrever aqui, por vontade própria... Isso acontece às vezes e, por bem ou por mal, acabo me jogando nos livros e nas oportunidades.
Amanhã mais um capítulo dessa história começa; mais um capítulo da minha história.
Finalmente encontrei algo agradável e assim como já fiz anteriormente, vou mesmo é me entregar de coração e dar o meu melhor, desmerecendo o desdém desnecessário, de cabeça erguida, sempre com o apoio de quem mais amo e me faz feliz.

Boa sorte pra mim.
Ah, e quando a vontade vier, escrevo qualquer coisa - só por escrever mesmo.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

sexta-feira, 11

Me pego pensando no futuro.
Chego a conclusões incitáveis.

Prefiro mesmo passar por tudo e começar do zero de verdade, a ser financiada por terceiros. Prefiro mesmo fazer o que gosto, o que me agrada, a ser induzida por sonhos que não são de meu interesse.

Afinal, a vida é minha e os planos por aqui são totalmente meus.
Já tenho em quem me inspirar no certo e no errado. Já sei o que faz bem e o que faz mal - embora adore o frio na barriga.
Amo o que sou.
Amo o que gosto.
Críticas construtivas são bem aceitas e nem todas vão para o lixo.

Meus desejos, meus planos, meus anseios.
Com a minha felicidade posso ser egoísta sim.

"eu cresci assim, genioso e impulsivo, e acho que gosto desse meu jeito"
E muitas vezes tiro minhas forças das músicas daquela banda que muita gente não gosta.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Planeta Água

Acordei com a chuva batendo na janela.
Altos índices de lentidão e trânsito complicadíssimo na cidade, 118km às 13h, aproximadamente 47 pontos de alagamento distribuídos por toda a São Paulo, desabamentos, falta de eletrecidade e telefonia, ressaca do mar em Santos, deslizamentos nas estradas, e mais pessoas em regiões menos favorecidas perdem seus móveis, tapeçaria, eletrodomésticos e esperança ao ver o nível da água subir nas suas casas.
Crianças de rua se escondem debaixo dos viadutos e idosos vêem a doença se espalhar com a chuva, já acostumados com a cena. Cães e gatos se aconchegam em qualquer buraco menos úmido que encontram, e ratos e animais peçonhentos descobrem seus lugares pelos ralos e boeiros debaixo dos nossos pés.
Ao mesmo tempo que é uma "benção" em certos Estados, aqui a chuva é uma desgraça pra muita gente. O clima só faz ficar cada vez mais dificultoso para todos, um dia chove e no outro faz calor de 34º - digo literalmente, a cinco dias vejo esse zigue-zague climático.
Mas o que você tem a ver com tudo isso?
A pergunta certa é "o que todos nós temos a ver com tudo isso?". Qual a influência da raça humana na natureza? Qual o limite do nosso egocentrismo, racionais meros mortais que, ironicamente, sem pensar nas consequências, destruímos nosso lar?
É difícil pensar que ainda existam florestas, rios, e animais selvagens convivendo harmoniosamente com a natureza em qualquer canto isolado do mundo quando tudo isso acontece no nosso dia-a-dia. É uma difícil tarefa acreditar que tenhamos e soframos , de fato, influências nas mutações do planeta em que vivemos.
A calamidade natural acontece todos os dias e nós e nossas fórmulas científicas, somos os culpados.

Enquanto isso, pessoas que nem fazem idéia da culpa, sofrem e pensam que o desastre natural é obra do Diabo, e simplesmente rezam e pedem a salvação de seus lares fazendo promessas que nunca irão cumprir para um Deus que nunca salvaria metade de seus móveis.
A natureza tarda mas não falha.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

exatamente o contrário

Ontem li no arquivo da Rolling Stone do mês passado uma entrevista com o Woody Allen e, algo que ele disse me chamou a atenção: "Sou filho das ruas da cidade e me sinto em casa com os dois pés plantados no chão". A princípio não fez sentido, visto que o propósito dele era dizer que adora sua cidade agitada e se sente um peixe fora d'água em Connecticut.
A questão é todo aquele lenga-lenga que a maioria das adolescentes sonhadoras declara por ter visto em uma série de televisão onde a protagonista abraça a cidade mais louca do país e quer tudo ao mesmo tempo - Alice, série exibida ano passado pela HBO onde a personagem vinda de outro Estado, descobre nossa encantadora e arrasadora São Paulo -, não me lembro de já ter falado desse incomodo que eu sinto sempre que leio isso mas, é mais ou menos assim: "Mais vale uma Alice voando do que mil Alices com os pés no chão", e é sempre a mesma coisa, o mesmo blá blá blá de adolescência vivida ao máximo.
Entrei em contradição por cinco ou seis minutos depois de interpretar a frase do Woody da minha maneira e cheguei a seguinte conclusão: "Sou filha das ruas da cidade e me sinto em casa com os dois pés plantados no chão", porque sou assim. A verdade nunca foi posta em jogo, o real e irreal sempre foram coisas distintas e, para mim, fugir da realidade nunca foi uma boa opção, quer dizer, encarar os problemas dessa vida de cabeça erguida, buscando sempre o melhor estado de espírito sempre foi a melhor coisa a se fazer. Alienação e inconsequência não fazem parte da pessoa que sou.
Portanto, a coisa toda muda: "Mais vale uma Flávia com os pés no chão do que mil Flávias voando" afinal, é preciso manter a sanidade pra continuar vivendo nessa selva de pedra denominada realidade.
Depois de toda essa baboseira intelectual em que viajei, fechei a revista e fui assistir Law & Order - SVU.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

run

Quanta gente sem nada pra fazer.
Quanta gente sem nada pra pensar.
Quanta gente incerta de tanta coisa.
Estupidez, insensatez, impulsos e chuva.
Garoa faz a dor de cabeça triplicar no dia seguinte... Bando de filho da puta sem objetivos.
Não tenho nada a ver com essa auto-destruição maldita em que centenas de idiotas acreditam e desanimador mesmo é ver o diabo acontecer do seu lado.

run my baby, run my baby, run

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

i'm still alive

Acordei no sábado feliz demais pra ver o dia ser jogado fora - aquele beijo de bom dia e o carinho no rosto carimbaram o início de um ótimo final de semana.
O relógio marcava 08h05 e a minha mente já estava a mil. O que fazer? O que decidir? O que eu realmente queria pra mim? Foi exatamente aí que eu decidi que trabalhar em loja fashionista pra pessoas megalomaníacas, definitivamente não era pra mim - não entendi ainda a razão de ter insistido, trabalho é uma coisa séria e tenho sérios problemas com chefes: ou eles são humanos, ou não; e dona da loja não era lá tão humana assim -, e que eu estava me demitindo de toda essa bobagem.
A retórica era verdadeira, aquele não era o meu mundo. Gosto de gente humilde que admite os próprios erros, que não passa por cima de ninguém por dinheiro e não abusa da pouca autoridade que lhe é designada. Gosto de pessoas simples e inteligentes o suficiente pra que façam suas próprias escolhas, que não são escravas do espelho e da moda.
Aquele não era o meu mundo e, por isso, nesse sábado ensolarado, enquanto um alguém brincava com meus cabelos, simplesmente me dizia que enquanto tivéssemos escolhas, poderíamos escolher.
A minha escolha no momento não é fazer tudo o que quero, mas sim não fazer tudo o que não quero. Respeitar o próximo, amar e ser feliz; ser livre pra escolher.

Por que não tirar mais um cochilo? A manhã estava linda e tudo o que mais me importava estava bem ali do meu lado.
O sábado foi ótimo.

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

asco



Hoje eu declaro a todos vocês, parasitas que se apoderaram da minha voz, da minha opinião, da minha personalidade; que espero que suas consciências morram afogadas nos seus respectivos julgamentos.
Não fazem diferença alguma na minha vida, até o momento que começam a incomodar, e a falta de senso, de todos vocês, esta me incomodando profundamente.
Nunca pensei que fosse dizer isso, mas hoje descobri que esconder de todos o que se pensa, ainda que seja pra evitar a discórdia, não é um ato de nobreza. As vezes vale a pena tirar o peso das costas e confessar tudo o que te desagrada, sem medir palavras ou consequencias.
Sabe, já conheci esse mundo em que vocês todos vivem e nada nele me agradou. Achei fútil, ignorante, estúpido; non sense. Por exemplo, fumar maconha com o dinheiro da mesada é deplorável, coloca em jogo toda a liberdade declarada aos quatro ventos; ver a vida passar pelos seus olhos e se sentir de mãos atadas simplesmente por ter complexos demais, é deprimente.
Mas sabe mesmo o pior de tudo? Julgar os que não fazem parte desse mundo sem nada a oferecer.
Eu simplesmente desejo que um dia se coloquem no seus lugares, e enxerguem com seus proprios olhos, que existem coisas mais importantes na vida do que classificar desconhecidos, sem conhece-los; sem saber o que escutam, o que pensam, do que gostam.
E quer saber? É por isso que eu evito pessoas assim como vocês, não vale a pena o tempo perdido ao desenvolver uma conversa onde o assunto é somente um: bandas de fotolog, festivais independentes do ABC que ninguém nunca vai conhecer, ou sobre qualquer outra droga que os satisfazem.
Eu evito vocês porque não valem a pena; são prematuros demais no pensamento - e velhos demais biologicamente - pra qualquer outra coisa que não esteja relacionada ao mundo podre onde vivem.
Não sou a dona da verdade, não nasci sabendo de tudo; também não aponto o dedo pra todos e não saio por ai julgando todos que não conheço, não sou hipócrita e respeito quem me respeita. Essa não é a lei numero um por ai?
Um dia é preciso crescer e correr atrás dos seus sonhos. Você precisa seguir seu próprio caminho pelos seus passos, o primeiro deles, é começar a colocar o cérebro pra funcionar e prestar mais atenção no que se diz e no que se faz.
Ser coerente, antes de tudo.


ME RELACIONAR COM VOCÊ SÓ ATRASA A MINHA VIDA.

domingo, 9 de agosto de 2009

Dia dos Pais

Mais uma data sem sentido pra mim, criada pra vender carteiras, camisas e meias.
Incrível mas tudo se repete cada ano que passa.
No Dia dos Pais, tudo é alegria e amizade paternal e dois dias depois, as coisas voltam ao normal e junto com a rotina, voltam os desentendimentos.
Nada disso faz sentido para mim - como se um único dia fosse mudar tudo o que ficou... Como se um presente fosse, ainda que simbolicamente, apagar o que foi deixado pra trás.
O pouco que me fazia acreditar nessa bobeira, também foi deixado pra trás e agora só me resta pensar que arrisquei, pelo menos eu tentei.


A questão é exatamente onde isso vai parar e quando isso tudo vai terminar.
O problema (dessa vez), é esse meu ceticismo que só faz crescer e infelizmente - ou felizmente - deixar as coisas mais claras aos meus olhos.
O fato é que o pouco em que acredito, o faço com todas as certezas e é inteiramente real e verdadeiro para mim.
O óbvio é o que ninguém quer ver - não por incapacidade, mas por comodidade.


terça-feira, 21 de julho de 2009

avaliação - julho de 2009

Não concorda com críticas desconstrutivas, não aceita opinião desformulada, não atua ativamente na política da boa vizinhança.
Muitas coisas não estão alinhadas e tudo o que lhe é desconhecido, é mais instigante. Às vezes muda, sai, anda, mas sempre volta. Definitivamente gente que é gente lhe atrai, evitando, assim, todas as pessoas de mente fechada ao seu redor. Bate a porta na cara de quem não respeita o cotidiano alheio.
O mundo lhe parece um mistério e não existe meio termo. Entre tropeços aprendeu o valor de certas coisas como amizade e amor, tão cedo.
Nunca aceita que lhe digam o que deve fazer, desconfia da própria sombra e acha maravilhoso o fato de confiar sua vida, de olhos fechados, a uma única pessoa. Provas são provas e este único ser sempre lhe prova o quanto a vida valhe a pena.
Já declarou irmãos em outros Estados, amigos que não valhiam um centavo e amores fúteis e tolos. Não se arrepende, mas não acha que tenha valido o esforço.
Encontra nos momentos simples a calmaria que precisa pra continuar. Uma nuvem bonita, um raio de sol que enche os olhos de luz, uma gotícula de chuva ou o aroma de uma flor campestre; coisas da terra fazem seu espírito brilhar.
Simplicidade nas coisas simples. Não acredita que felicidade está em roupas, trabalho, dinheiro e festas; toda essa bobagem é consequência desnecessária pro dia-a-dia.
Conversa com todos, assim como seu pai lhe ensinou: todos são iguais. Não admite falsidade, egoísmo e hipocrisia. Preconceito lhe causa repulsa.
Com o tempo, concluiu que sem o amor caminhando ao seu lado, a vida não pode ser bem contemplada.
Sonha novos sonhos: uma linda família, dois cachoros de porte médio, uma estante cheia de livros literários; uma vida cercada de "sorrisos que transparecem a felicidade da alma".

Abolindo outros detalhes incitáveis, o meu resumo momentâneo de mim.

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Ser e Crescer


Verbo Ser

Que vai ser quando crescer?
Vivem perguntando em redor. Que é ser?
É ter um corpo, um jeito, um nome?
Tenho os três. E sou?
Tenho de mudar quando crescer? Usar outro nome, corpo e jeito?
Ou a gente só principia a ser quando cresce?
É terrível, ser? Dói? É bom? É triste?
Ser; pronunciado tão depressa, e cabe tantas coisas?
Repito: Ser, Ser, Ser. Er. R.
Que vou ser quando crescer?
Sou obrigado a? Posso escolher?
Não dá para entender. Não vou ser.
Vou crescer assim mesmo.
Sem ser Esquecer.


Carlos Drummond de Andrade




Esse poema do Drummond - assim como vários outros dele - me fez pensar um pouco.
Há quem diga que para ser, basta ser um número entre as percentagens, ter uma Carteira de Identidade. Há quem diga que para ser, é necessário ter o mínimo de racionalidade e capacidade de julgar o desconhecido.
Hoje, na minha opinião, antes de tudo isso, para Ser, é preciso sentir.
Sentir a brisa leve no rosto, sentir o frio que deixa a boca ressecada, sentir a pele queimando sob o Sol de 38º e saber que está vivo.
Sentir o coração batendo forte no peito, sentir dores de cabeça depois de uma situação de tensão, sentir o ar puro encher os pulmões e saber que está vivo.
Ser e sentir as coisas da vida. Se comover com um momento ímpar, embalar a vida com uma música verdadeira e acreditar que certas coisas neste mundo são surreais de tão satisfatórias e, idealizar incorrigivelmente uma vida melhor - a utopia é um direito? deveria.
Ser, sentir e saber que é humano.
Mas e crescer? Crescer é uma outra conversa.
Brevemente, crescer pode ser muitas coisas e nada. Crescer é aprender com as experiências vividas, com os tropeços inevitáveis e fazer tudo diferente, para que os erros não se repitam. Crescer pode ser o resultado de sentir e saber que é humano.

Vivo sem tantas cobranças.
Ser, sentir e crescer sempre sem me esquecer jamais do que fui e do que me tornei.
A vida é uma possibilidade de muitas probabilidades.
A vida é um aprendizado incrível e desconcertante.

au revoir

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Estar

Ninguém disse que seria fácil tampouco rápido.
A vida é um emaranhado de situações e complicações, muitas vezes embaraçosas e decisivas. Tomar a melhor decisão talvez seja o que mais nos aflinge na maioria dessas situações, por pensar que será o veredicto final. Não, nunca é o veredicto final. Nunca está totalmente terminado.
Nossas pernas ficam fracas, o coração dispara, a cabeça quase explode e o sangue esquenta - não necessariamente nesta ordem -. Até então, começarmos a tomar atitudes impulsivamente.
Ninguém disse que seria fácil, rápido e que estaria sozinho. Ninguém.
Pra qualquer situação, decisão e efeito, você tem alguém do seu lado. Alguém que te faz continuar e independente de como as coisas giram, está do seu lado - e sempre estará.
Ninguém disse que seria descomplicado.
Apoio, estima, respeito, confiança.
Valores, crenças, origem, auto-estima.

Você não está sozinho e se depender de mim, nunca vai estar.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

greve

É, eu tô de greve disso aqui.
Acontece que escrevi um milhão e meio de textos e apaguei tudo, de novo e de novo.


Cansei!

terça-feira, 7 de julho de 2009

Diluviando

Se querem mesmo saber o que me deixa sem ação, saibam que não é a tiazinha que passeia com seu cachorro vira-lata na Av. São João às cinco da manhã, tampouco uma louca dando cervejada na cara da outra. O que me deixa sem ação e reação é o momento pré, durante e pós chuva, no centro da cidade. De verdade - a chuva e o que as pessoas podem fazer quando ela vem.

Hoje lá estava eu, depois de ter pedido saída no trabalho para ir ao dentista, quando olho para o céu e vejo o Apocalipse se iniciando lá em cima. O que me deixou encafifada pra valer, foi a atitude das pessoas antes da chuva.

Vou explicar desde o começo: meu trabalho fica quase no centro e o consultório fica no final da principal rua-comércio do centro da cidade. Portanto, tive de andar um bom trecho do percurso - prefiro andar do que pegar ônibus cheio de gente fedida e feia cheirosa e bonita, para ir ali do lado - e foi nesse percurso que eu vi um pouco da atual situação da raça humana.

O céu ia ficando cada minuto mais escuro, começou um vendaval inquietante e os raios e trovões não cessavam nunca. Eu não me desesperei porque nesse planeta Terra desregulado em que vivemos, isso é absolutamente normal e a qualquer hora do dia você tem que estar preparado com a sua arca, para um dilúvio. Bom, o clima foi fechando e as pessoas começaram a ficar desorientadas feito baratas tontas.

Abre o guarda-chuva, põe e capa-de-chuva, se preocupa, segura o cabelo. Solta, prende, puxa, sacode a droga do cabelo enquanto do outro lado da rua outra pessoa corre, grita, se preocupa, abre o guarda-chuva, corre mais e prende a droga do cabelo - na ordem cronológica. Taí, outra coisa inquietante é a preocupação com a cabeleira em meio a um dilúvio. Estranho mesmo é uma pessoa se preocupar com o cabelo que vai enrolar depois da chuva ao invés de se preocupar com a casa que vai encher de água depois da chuva.

Bobeira.

Enfim, as pessoas estavam ficando estéricas e eu já não sabia se segurava a risada ao ver duas senhoras dançando com o guarda-chuva ou se parava e brincava com o cachorrinho da praça da Igreja... Ele estava meio sozinho ali, fiquei com pena - dele e de mim, por estarmos presenciando aquilo.

A chuva foi ficando mais e mais evidente e as pessoas cada vez mais loucas. Juro por Deus, parecia que o mundo ia cair, igualzinho naquele filme lá, "O dia depois de amanhã" - a diferença é que no Brasil ao invés de neve, as pessoas fritam no Sol. Era uma chuva forte, histórica.

Depois de conter os risos e resistir a dar atenção ao cachorrinho, decidi que precisava andar um pouco mais depressa - a menos que quisesse tomar um banho de chuva no meio da rua mais insuportável e cheia de gente feia movimentada e bem frequentada da cidade. Andei depressa, peguei a sombrinha emprestada, olhei no relógio. Três e quarenta e cinco da tarde, eu tinha apenas dez minutos para chegar ao extremo do centro da cidade e estava lá, sem reação frente a toda aquela bizarrice. De verdade, pensei que fosse acabar ali (o mundo, pensei que o mundo fosse acabar ali). Cheguei em oito minutos ao consultório - quase morta.

A dentista disse que eu tenho uma cárie e me deu um atestado de uma hora... Desci as escadas do prédio preocupada com a chuva... Devia estar tudo inundado e aquela altura do campeonato devia no mínimo ter botes e crianças brincando na leptospirose. O mundo já teria desabado. Mas não... Não foi isso o que aconteceu.

Na verdade eu quase caí de costas quando vi que não tinha chovido nem uma gota e que naquele momento, o céu estava azul com um incrível sombreado de final de tarde.

"Maldito aquecimento global", foi o que consegui pensar - cinco minutos depois eu me lembrei que ia acontecer de novo na próxima ameaça de chuva, afinal, isso sempre acontece nas grandes cidades. As pessoas são meio loucas por aqui.




Postado por esta que vos fala, ou escreve... dia 10/03/2009, no curto (e ótimo) período que passei no http://www.proibidoler.com que aliás, recomendo.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Desenferrujando 1

Tudo muda, fato.
É estranho ler e reler coisas que escrevi em 2007, parece que uma eternidade inteira se passou e muita coisa aconteceu.
Tá certo, muita coisa aconteceu mesmo... Nada previsto.
Há cinco anos atrás, eu ficava imaginando como seria a minha vida neste período... E não imaginei nada disso que aconteceu; não imaginei que ia trabalhar durante um ano inteiro em uma empresa megalomaníaca, tampouco que encontraria amigas de verdade nesta empresa e sair dela antes dos dezoito; não passou pela minha cabeça que encontraria o amor da minha vida tão cedo, muito menos que veria valores sendo fragmentados pela própria família, da maneira que vi. Citar tudo é bobagem, quem sabe um dia eu não escreva um livro?
A verdade é que a gente sempre faz planos pro futuro sem ter certeza dele e, sempre que faz planos, acontece tudo diferente do planejado. Um amigo me disse uma vez que a solução era não fazer planos e se jogar nas oportunidades, sem plano B, já que o mesmo acontecia com ele e sempre se decepcionou com o resultado - ele só se esqueceu que o conselho estava sendo direcionado pra mim e, querendo ou não, isso muda uma série de fatores possíveis e impossíveis.
A desvantagem de não trabalhar é exatamente essa: ficar horas pensando no passado e misturando os fatos e probabilidades. Minha avó dizia que cabeça vazia era oficina do diabo, vai ver isso é verdade mesmo, e cada vez que ficamos desocupados, com a companhia do ócio, descobrimos coisas demais sobre nós mesmos antes do tempo.
Não que ficar desocupada só traga desvantagem, afinal, quem mais veria o pôr-do-sol do centro da cidade, em plena segunda-feira, daqui do terceiro andar, a não ser eu? Quem veria sessão da tarde em uma quarta-feira e ouviria os CD's preferidos a toda altura, em um dia chuvoso de inverno, a não ser eu? Depois de tudo o que aconteceu, no meu caso, estes são privilégios do seguro-desemprego apenas... Mas não posso discordar: descansar depois de todo esse tempo é recompensador.
Não pensei em um plano B, fiz um pacto com a felicidade.
Também não estou de mãos atadas, tampouco vencida pelo cansaço. Tenho chances e momentos certos e aproveitá-los é tudo o que posso fazer no momento.

sábado, 4 de julho de 2009

paz

quinta-feira, 2 de julho de 2009

GET BACK

Voltei pra civiliação (internet de volta).
O LBC voltou.



Aqui jaz uma sede imensa de palavras!